"Na contramão deste mundo em direção a Deus"

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Sobre os políticos e sua vocação!


Por Pastor José Eduardo Lopes




“Não se deve pôr em dúvidas que o poder civil é uma vocação, não somente santa e legitima diante de Deus, mas também mui sacrossanta e honrosa entre todas as vocações”, palavras de João Calvino (teólogo reformado do século XVI). O político é um vocaionado. O que é a vocação? É o lugar da realização. Realizar é fazer. Construir sonhos, assim defino vocação..

O político deve ser um construidor de sonhos, não os seus sonhos, mas os da comunidade. Os maiores sonhos da humanidade são a liberdade e a justiça. A fome escraviza. O mercado não é para todos somente para os que possuem. As classes sociais não são justas, pois não permitem que vejamos as pessoas de forma igual, antes de observar o que as pessoas são pelo seu caráter, aproximamos ou distanciamos nosso olhar, julgamos e jogamos nossos conceitos pela sua classe social. Os sonhos nascem das nossas necessidades, precisamos de liberdade e justiça. Pois, sonhar é desejar algo que não possuímos, juntos sonhamos aquilo que somente os políticos podem construir: liberdade e justiça.

A grande questão na vocação do político é seu afastamento. Quando nos afastamos das pessoas paramos de perceber o que elas desejam. Sabemos o que alguém deseja se a conhecemos, para que isso aconteça é preciso “passar tempo junto do outro (s). “Passar tempo” em outras palavras é viver profundamente sua realidade. Os políticos preferem os “paços municipais, estaduais, federais...” Lugares onde as necessidades dos outros são negociadas. Nos paços a vocação não se realiza, porque estão distantes do lugar onde se realizam, os sonhos.

Os políticos deveriam ser como os artistas: observam o mundo, seu movimento, o agitar dos encontros e desencontros da humanidade, olham os corações e percebem o que o povo sente. Depois escrevem “...o poeta é um fingidor...e os que lêem o que escreve, na dor lida sentem bem...”, disse o político das palavras Fernando Pessoa. Os políticos devem fazer o mesmo. Nas obras feitas, não as pra si, mas para o povo que se sentirá bem com as obras de uma política de liberdade e justiça.
Mas, para que realizem sua vocação, deveriam viver os nossos sonhos de liberdade e justiça. Precisam sair dos gabinetes, dos discursos, dos ternos e gravatas, dos debates....Precisam ter movimento, respirar o ar dos oprimidos, cativar o coração daqueles que endurecidos pela riqueza não percebem a injustiça que cometem. Para isso deveriam seguir o conselho de Milton Nascimento “...Com a roupa encharcada e a alma repleta de chão/Todo artista tem de ir aonde o povo está/ Se foi assim, assim será/ Cantando me disfarço e não me canso de viver nem de cantar...” Senhores políticos é onde o povo está que estão os sonhos. É lá o lugar da realização da vocação do político. Realizando o sonho de liberdade e da justiça! Para isso, é preciso roupa encharcada....

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